Governo do Distrito Federal
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10/08/21 às 12h50 - Atualizado em 10/08/21 às 14h12

Samu contabiliza mais de 11 mil trotes este ano

Durante os sete primeiros meses do ano foram recebidas 441.684 chamadas de urgência no Distrito Federal

 

ADRIANA SILVA, DA AGÊNCIA SAÚDE-DF

 

Para uns uma brincadeira – de mau gosto por sinal. Para a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), uma ligação desnecessária é um tempo perdido que poderia ter sido gasto para salvar a vida de quem realmente precisou do atendimento emergencial.

 

Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

Até o mês de julho, o Samu recebeu 441.684 ligações na Central de Regulação de Urgências, pelo telefone 192. Deste total, 11.959 foram trotes identificados pelos operadores do sistema. De tudo isso, a boa notícia é que, se comparado com o mesmo período do ano passado, o registro é de 1.191 ligações desnecessárias a menos.

 

Para Victor Arimatea, diretor do Samu, a redução nos números de trotes este ano pode estar ligada à conscientização da população com o enfrentamento da pandemia.

 

“Estamos ainda em situação de enfrentamento da pandemia e os desafios enfrentados pela população elevaram a importância dos atendimentos do Samu, bem como de todas as unidades de saúde. Nesse sentido, é razoável supor que o contexto atual também colaborou para uma modificação de comportamento que culminou na redução do registro de trotes e no amadurecimento do uso de serviços tão necessários e contingenciados como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência”, afirma.

 

 

Campanhas educativas

 

Geralmente, as ligações classificadas como trotes são feitas em sua maioria por crianças. Anualmente, o Samu faz campanhas de educativas e de conscientização da população, para redução do número de trotes.

 

Em 2007 o Ministério da Saúde criou o projeto Samuzinho para conscientizar e instruir crianças das escolas públicas e particulares de todo país, a partir do 5º ano. A ideia do projeto é mostrar para elas o quanto um trote pode atrapalhar ou atrasar um atendimento de urgência.

 

Victor Arimatea acrescenta, ainda, que, em virtude do isolamento social imposto pela pandemia e a supervisão familiar para com as crianças, tais fatores podem ter contribuído para essa redução, além das campanhas educativas que o órgão apresenta.

 

“Os motivos por trás da redução do registro de trotes provavelmente são multifatoriais, envolve tanto a atuação de campanhas de conscientização orientados para a população através da mídia, com matérias anuais relacionadas ao tema, quanto a projetos como o Samuzinho, com esclarecimento da população infantil nas escolas quanto à importância do serviço”, ressalta o diretor do Samu.

 

 

Trote é crime

 

De acordo com o artigo 266 do Código Penal Brasileiro, passar trote para serviços de emergência é crime e o infrator pode pegar de um a seis meses de detenção.

No caso de menores que cometem esse ato infracional, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) o considera como gravíssimo e a criança ou adolescente será encaminhado para à Vara da Infância e da Juventude para que sejam aplicadas as medidas socioeducativas de acordo com a gravidade do trote dentro da Legislação Brasileira vigente.