Governo do Distrito Federal
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18/05/20 às 19h42 - Atualizado em 19/05/20 às 20h24

Saúde alerta para o combate ao abuso sexual de crianças e adolescentes

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Serviços de atendimento estão disponíveis à população

 

O Distrito Federal registrou 341 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, de janeiro até esta segunda-feira (18). São 68 ocorrências a menos que no mesmo período do ano passado, conforme os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), utilizado pela Secretaria de Saúde.

 

Apesar da redução, no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado hoje, os gestores da pasta alertam a população sobre os cuidados que precisam ter durante a quarentena. Principalmente porque o histórico das violências intrafamiliares revela que 65% das notificações ocorrem nas residências das vítimas, sendo 57% delas de natureza sexual contra crianças e adolescentes.

 

“Estar confinado pode aumentar os riscos. Por isso, mesmo na quarentena, a rede de proteção está ativa e trabalhando. Se suspeitarem de ação de violência, acionem os conselhos tutelares de plantão e a Delegacia de Proteção da Criança e Adolescente, que tem registro eletrônico das ocorrências”, informou Fernanda Falcomer, gerente da Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde.

 

De acordo com a gestora, além da rede de serviços especializados destinada ao atendimento de pessoas nesta situação, a população também precisa estar consciente do seu papel para reduzir ainda mais os casos de violência.  

 

“Essa também é uma responsabilidade da sociedade, e queremos chamar a atenção para esse problema. Em isolamento, é importante a população ter conhecimento e, em casos como esses, os vizinhos, amigos, colegas e parentes devem ajudar a romper esse ciclo de violência e chamar as autoridades”, comentou Fernanda Falcomer.  

 

ATENDIMENTO – Durante o período de pandemia, a orientação é de que os casos em que houver necessidade de atendimento ambulatorial em saúde, decorrente de violência, deverão ser encaminhados por e-mail ao núcleo de prevenção e assistência a situações de violência da região de saúde de referência da vítima.

 

Os núcleos receberão a demanda e após analisar caso a caso formularão o plano terapêutico e como será realizado o manejo dos casos. Serão avaliados os riscos e a necessidade de atendimento imediato ou a possibilidade de aguardar o fim do isolamento social devido à pandemia.

 

Estão sendo realizados atendimentos individuais e também teleatendimentos, que são decorrentes de demanda espontânea e de encaminhamentos dos demais órgãos da rede de proteção.

 

Nos casos em que a vítima precisar de cuidados médicos e profiláticos para as infecções sexualmente transmissíveis nas primeiras 72 horas, ela deverá ser direcionada ao pronto-socorro mais próximo.

 

PANDEMIA – Devido à pandemia, as ações de mobilização contra a violência sexual estão sendo reestruturadas para uma promoção exclusivamente online, considerando que não terão atividades de abordagem direta, eventos de conscientização, palestras, seminários presenciais, entre outras medidas que resultem em aglomeração de pessoas.

 

Uma das atividades realizada pela Secretaria de Saúde será uma webconferência, nesta terça-feira (19), às 9h, para os profissionais de saúde e da rede de proteção. O tema será “O enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes – desafios e avanços”. As inscrições podem ser realizadas aqui.

 

São convidadas para o debate a secretária executiva do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Karina Figueiredo; e a professora doutora da Universidade de Brasília (UnB) Liana Fortunato Costa, pesquisadora do tema e parceira nas pesquisas, publicações e desenvolvimento de metodologias de atendimento.

 

18 DE MAIO – A data foi escolhida como dia de mobilização contra a violência sexual porque em 18 de maio de 1973, em Vitória (ES), um crime bárbaro cometido por jovens de classe média alta da capital capixaba chocou o país. O rapto, estupro e assassinato de uma menina de apenas oito anos de idade ficou conhecido como Caso Araceli.

 

A proposta do 18 de maio é destacar a data para mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos sexuais de crianças e adolescentes.

 

Texto: Leandro Cipriano, da Agência Saúde

Foto: Breno Esaki/Agência Saúde