Governo do Distrito Federal
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11/04/13 às 21h33 - Atualizado em 30/10/18 às 14h58

Saúde lança campanha contra Leishmaniose Visceral no DF

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Ação neste sábado, na Asa Norte

A Secretaria de Saúde do Distrito do Federal (SES/DF) lança a Campanha de combate a Leishmaniose Visceral, neste sábado (13), no estacionamento do shopping Boulevard (fim da W3 Norte), das 12h às 17h. No local, será montado um estande de coleta de sangue dos cães para diagnóstico e teste rápido de leishmaniose visceral canina (DPP).

Cerca de 20 profissionais da Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) e da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep)- entre médicos veterinários, biólogos e agentes da vigilância ambiental – promoverão uma ação preventiva e educativa,com o objetivo de conscientizar a população sobre a transmissão da doença. Quem passar pelo local poderá obter informações e tirar dúvidas sobre o ciclo de vida do inseto (vetor) e do animal contaminado (reservatório).

A chefe do Núcleo de Vigilância e Diagnóstico em Zoonoses, Cleide Santana Damasceno, informa que a Dival realizou de janeiro até o início de abril, 1.667 diagnósticos para leishmaniose, no Laboratório Central da SES/DF (Lacen). Deste total, 187 amostras foram positivas para leishmaniose visceral canina (LVC). Segundo ela, as áreas de foco são Lagos Sul e Norte, Fercal, Varjão, Sobradinho I e II, Colorado e Jardim Botânico.

Para a médica veterinária Cleide Damasceno, é importante que todos os moradores, mesmo aqueles que não possuem animais de estimação, estejam empenhados em adotar as medidas necessárias para reduzir o risco de transmissão da leishmaniose. A Dival já programou um calendário para o mês de maio, com ações educativas e preventivas aos sábados, por meio de campanhas de conscientização e distribuição de panfletos, teste rápido e coleta de sangue canino.

A Leishmaniose Visceral (Calazar) é uma doença causada por um protozoário (parasita unicelular) denominado Leishmania, que necessita de um inseto (vetor) e de um animal vertebrado (reservatório) para completar o seu ciclo. O cão é o principal reservatório da leishmaniose no ambiente urbano. A transmissão da leishmaniose ocorre somente por meio da picada de um inseto “flebotomíneo” (vetor), que vive em locais ricos em matéria orgânica em decomposição, com presença de umidade, ausência de movimentação de ar e ausência parcial ou total de luz.

Não ocorre transmissão direta da doença de homem para homem, do animal ao homem e, nem de um animal a outro animal. O período de incubação (tempo decorrido entre a exposição à leishmania e o início dos sintomas) é de dez dias a dois anos (média de dois meses).

Sintomas
O chefe do Núcleo de Controle de Endemias, infectologista Dalcy Albuquerque Filho, esclarece que, “a Calazar ou Leishmaniose Visceral provoca febre, fraqueza, perda do apetite, emagrecimento, aumento do fígado e baço. A doença, que pode matar se não tratada em tempo, é transmitida por um mosquito que “ataca”, principalmente, no fim da tarde e a noite, chamado de palha, canguinha ou asa branca. Os mosquitos vivem e se proliferam em bosques, condomínios, matas, áreas sombreadas, úmidas e com acúmulo de lixo e matéria orgânica (capim, folhas, esterco, madeira, serragem, papel e se contamina ao picar cães ou outros animais doentes)”.

O que fazer?
Ao se detectar esses sintomas, deve-se procurar uma unidade de saúde. Em caso de confirmação, o profissional de saúde pedirá exames para comprovação do diagnóstico de leishmaniose visceral.

A doença é tratável e tem cura. Segundo o médico Dalcy Albuquerque, “a pessoa doente, dependendo da avaliação e do estado clínico, é curada em 20 dias de tratamento. O paciente que não precisa de internação pode realizar o tratamento nos ambulatórios dos hospitais da rede pública com medicação gratuita. Não é uma doença aguda e a evolução é lenta. No entanto, quanto mais rápido e precoce o diagnóstico, melhor a sua recuperação”, informa o médico.

Medidas de proteção individual
– Evitar ambientes externos no período de atividade do mosquito (crepuscular e noturno);
– Utilizar calças compridas e camisas de mangas compridas nos horários crespusculares e noturnos;
– Telar as janelas da casa.

Medidas de proteção para o cão
– Utilizar coleiras repelentes a base de Deltametrina 4%, em cães;
– Procurar um médico veterinário caso haja suspeita de cão doente;
– Recolhimento dos cães com exames laboratoriais positivos para leishmaniose; não transferir ou adquirir cães de outras áreas, principalmente, quando de regiões endêmicas como Piauí, Ceará, Bahia, Maranhão, Minas Gerais (Unaí, Paracatu, Belo Horizonte, Montes Claros etc.), Mato Grosso do Sul (Campo Grande), Tocantins, entre outros.

Medidas ambientais
– Podar as árvores evitando o sombreamento excessivo. Limpar os quintais e jardins e aparar os gramados. Os restos de poda e da limpeza do terreno, bem como, as folhas e as frutas caídas no chão devem ser acondicionadas em sacos plásticos e disponibilizadas para a coleta pública;
– Evitar criação de aves, principalmente em àreas urbanas;
– Acondicionar e destinar corretamente o lixo;
– Materiais, como madeiras, devem ser mantidos sobre estrados com altura mínima de 40 cm do solo e materiais em desuso, como restos de obras, devem ter um destino adequado.

Atenção
Caso seu cão tenha obtido resultado reagente para leishmaniose, leia atentamente o laudo de exame laboratorial e entre em contato com a Dival pelos telefones: 3343-8803 ou 3343-8804.

Júlio Duarte