Governo do Distrito Federal
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8/07/13 às 14h23 - Atualizado em 30/10/18 às 15h06

Exames de Leishmaniose estão mais rápidos e confiáveis

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Programa aponta eutanásia de cães infectados, identificados através de teste sorológico, como medida de controle

A Secretaria de Saúde utiliza duas técnicas para o diagnóstico de leishmaniose visceral canina sendo uma de triagem e a segunda confirmatória.

“A primeira emprega uma combinação única de antígenos recombinantes específicos para a detecção de anticorpos específicos (para a detecção de K26/K39) para Leishmania sp., em cães”,  afirma Laurício Monteiro Cruz, médico veterinário da Gerência de Vigilância Ambiental de Zoonoses (Gevaz).  Segundo Laurício, o exame apresenta vantagens por ser rápido e confiável.

O teste confirmatório para leishmaniose visceral canina é feito por meio da técnica de Enzyme Linked Immunosorbent Assay (ELISA), que permite a detecção de anticorpos no plasma sangüíneo, o antileishmania. De acordo com o especialista, com a realização das duas técnicas as sensibilidades confiáveis podem chegar a 100%.

“A logística e o protocolo dos exames sorológicos obedecem normas padronizadas por regras de unidades para laboratórios”, explica Kênia Cristina de Oliveira, diretora da Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival).

Segundo a diretora, a segurança é aferida pela sistematização dos processos de trabalho internos do Laboratório e do monitoramento externo realizado pela Fundação Ezequel Dias – FUNED instituição integrada ao Ministério da Saúde – MS e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) com o protocolo de envio de amostras sorológicas para monitoramento de dois em dois meses. A confirmação e a conformidade dessas análises dos exames variam entre 90 a 100%.

Para manter a alta qualidade dos diagnósticos é realizado periodicamente curso de qualificação, fornecido pelo Ministério da Saúde, FUNED e Bio-manguinhos, aos técnicos e analistas da Secretaria de Saúde.

O Programa de Controle da Leishmaniose Visceral estabelecido pelo Ministério da Saúde preconiza como uma das medidas de controle para transmissão da Leishmaniose Visceral (LV) a eutanásia de cães infectados, identificados através de teste sorológico.

“De acordo com os parâmetros do Ministério da Saúde, o Distrito Federal está classificado como área de transmissão intensa, ou seja, município cuja média de casos de Leishmaniose Visceral nos últimos cinco anos tenha um quantitativo maior ou igual a 4,4 casos”, afirma a médica veterinária Lucia d'Andurain, gerente da Gevaz.

A prevalência de leishmaniose visceral canina revelada a partir dos exames sorológicos amostrais e censitários é de 15% a 20% de positividade e está em plena epizootia nas áreas de transmissão da LVC.

“Para o cumprimento do Programa Nacional de Controle Leishmaniose Visceral a Secretária de Saúde tem realizado ações de vigilância, prevenção, controle e monitoramento sistemático, a fim de evitar surtos, epidemias e desacelerar a dispersão da doença para outras localidades”, afirma a subsecretária de Vigilância à Saúde, Marília Cunha.

Casos no DF

Em uma série histórica de 2005 a 2012, são 39 casos de leishmaniose visceral americana humana, e de 2004 a 2012, são 5.032 casos de cães com leishmaniose visceral.

As áreas de Transmissão da Leishmaniose Visceral no Distrito Federal são as Regiões Administrativas da Fercal, Sobradinho, Sobradinho I (principalmente região do Grande Colorado), Varjão, Lago Norte, Lago Sul e Jardim Botânico. A ocupação desordenada do solo tem contribuído para aproximação do ser humano com o Lutzomyia longipalpis (mosquito palha).

Outro aspecto contribuinte para a provável expansão da doença fundamenta-se pela livre circulação de cães infectados (assintomáticos, oligossintomáticos e sintomáticos) para áreas urbanas sem transmissão consolidada.

Sintomas

No animal, os principais sintomas são: perda de apetite, feridas no corpo, unhas crescidas, queda de pelos e secreção nos olhos.

Medidas de proteção individual:

– Evitar ambientes externos no período de atividade do mosquito (crepuscular e noturno);

– Utilizar calças compridas e camisas de mangas compridas nos horários crespusculares e noturnos;

– Telar as janelas da casa.

Medidas de proteção para o cão:

– Utilizar coleiras repelentes a base de Deltametrina 4%;

– Procurar um médico veterinário caso haja suspeita de cão doente;

– Recolhimento dos cães com exames laboratoriais positivos para leishmaniose; não transferir ou adquirir cães de outras áreas, principalmente, quando de regiões endêmicas como Piauí, Ceará, Bahia, Maranhão, Minas Gerais (Unaí, Paracatu, Belo Horizonte, Montes Claros etc.), Mato Grosso do Sul (Campo Grande), Tocantins, entre outros.

Medidas ambientais

– Podar as árvores evitando o sombreamento excessivo. Limpar os quintais e jardins e aparar os gramados. Os restos de poda e da limpeza do terreno, bem como, as folhas e as frutas caídas no chão devem ser acondicionadas em sacos plásticos e disponibilizadas para a coleta pública;

– Evitar criação de aves, principalmente em àreas urbanas;

– Acondicionar e destinar corretamente o lixo;

– Materiais, como madeiras, devem ser mantidos sobre estrados com altura mínima de 40 cm do solo e materiais em desuso, como restos de obras, devem ter um destino adequado.

Atenção

O exame realizado na Secretaria de Saúde é gratuito. Local: Gerência de Vigilância Ambiental de Zoonoses. SAIN – lote 04 – estrada do contorno do bosque Zoonoses.

Caso seu cão tenha obtido resultado reagente para leishmaniose, leia atentamente o laudo de exame laboratorial e entre em contato com a Dival pelos telefones: 3343-8803 ou 3343-8804.

 

Frederico Prado

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