Governo do Distrito Federal
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2/09/19 às 9h23 - Atualizado em 2/09/19 às 17h41

Terapia promove tremores no corpo para aliviar o estresse

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Técnica foi incluída na lista de práticas integrativas da Secretaria de Saúde

 

 

Você já levou um grande susto, que deixou seu corpo tremendo por um bom tempo? Saiba que este mesmo tremor também aparece quando se está ansioso ou muito nervoso. Agora, já pensou em fazer exercícios que provoquem esse tremor justamente para tratar traumas, estresses e sofrimentos adquiridos ao longo da vida? Pois é, basicamente, essa é a  proposta da Técnica de Redução de Estresse (TRE).

 

Criada nos Estados Unidos pelo psicólogo e filósofo David Berceli, a técnica foi incluída, oficialmente, na lista de práticas integrativas da Secretaria de Saúde em junho deste ano. Ela utiliza exercícios simples, que ativam tremores musculares involuntários. Assim, o corpo libera tensões associadas a estresse e sintomas diversos.

 

A TRE pode ser praticada por pessoas de ambos os sexos e de qualquer idade. “O último exercício consiste em deitar no colchonete em posição de borboleta e é quando as pernas mais tremem e propagam pelo corpo, promovendo um relaxamento profundo e aliviando conteúdos ativados”, complementa o médico Marcelo Amaral, referência técnica distrital da prática na Secretaria de Saúde.

 

Já no primeiro dia de prática, é possível ver mudanças. Convidada pela mãe, Zélia Maria da Silva, para praticar a TRE, Evely Maria da Silva Lorençoni, 20 anos, conta que, depois de uma hora seguindo as instruções, saiu mais relaxada. “Vim por que estava estressada por ser semana de provas e, agora, estou saindo bem mais tranquila. Nem lembrava que tenho prova amanhã”, conta.

 

Zélia já pratica a TRE há mais tempo e considera aquela uma hora o seu momento para esquecer as tantas responsabilidades que têm no dia a dia. “Também aliviou as dores que eu sentia. Agora, além da minha filha, quero que meu marido também participe, para ajudar a aliviar o estresse”, brincou ela.

 

RESULTADOS – Apesar de ter sido incluída, oficialmente, na lista de práticas integrativas da Secretaria de Saúde somente há um mês, a TRE já é aplicada na rede pública há nove anos.

 

“Em 2010, eu coordenava o Programa de Atenção à Saúde de Adolescentes e via os pacientes e seus familiares com demandas por apoio emocional para questões relacionadas a sofrimento, dores da vida, conflitos, violência e estresse, e o acesso a serviços especializados era muito difícil. Foi aí que conheci a técnica, fiz a capacitação com David Berceli e implementei na UBS 1 de Brazlândia”, conta Marcelo do Amaral.

 

Ele relembra que os benefícios foram tantos que expandiram a prática para toda a comunidade daquela região. “Os resultados foram ficando evidentes. Vinham pessoas com insônia, estresse, com conteúdos emocionais que as perturbavam, causando medo, ansiedade, depressão. E logo percebiam alívio de tudo isso com a prática”, ressalta o médico.

 

Um dos beneficiados com a prática é o aposentado Orlando Nogueira de Assis, 53 anos. Há um ano, ele passava por problemas emocionais que lhe custaram o sono. Passou a ser acompanhado por psiquiatra e a usar medicações de tarja preta. Foi encaminhado para a TRE como mais uma etapa do seu tratamento.

 

“Já consigo dormir sem usar medicamentos e até as dores de cabeça e nos ombros que eu sentia não sinto mais. Mesmo tendo recebido alta, não largo a prática e ainda convido amigos e familiares a participar também”, detalha.

 

Atualmente, a técnica de redução de estresse é oferecida em unidades básicas de saúde de Ceilândia, Brazlândia, Paranoá e Asa Norte. Com a formação de novos facilitadores, a tendência é aumentar a oferta. “Fui autorizado pelo David a dar a capacitação para servidores da Secretaria de Saúde sem nenhum custo para nós. Hoje, temos 30 facilitadores das mais diversas formações profissionais”, relata Marcelo.

 

Uma média de 5 mil pessoas já foram beneficiadas pela técnica somente nos grupos, fora servidores, alunos e pessoas que participam de eventos de saúde nos quais a prática é oferecida. Para quem pretende praticar, basta ir à unidade onde a técnica é oferecida, no dia e horário em que ela acontece.

 

ESCOLAS – Além das unidades básicas de saúde, um projeto vai levar a técnica de redução de estresse às escolas. “Iniciamos em uma escola pública no Gama, com diversas outras técnicas, e, agora, outras duas escolas em Brazlândia também receberão”, diz Marcelo.

 

 

Alline Martins, da Agência Saúde

Fotos e vídeo: Mariana Raphael/Saúde-DF

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