Governo do Distrito Federal
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13/05/15 às 10h40 - Atualizado em 30/10/18 às 15h12

Saúde notifica 131 casos de pessoas picadas por escorpiões

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Registro de 258 solicitações de captura do animal

BRASÍLIA (13/5/15) – A Subsecretaria de Vigilância à Saúde (SVS) do Distrito Federal notificou, de janeiro até o início de maio deste ano, 131 atendimentos de pessoas picadas por escorpiões. Em 2014 foram registrados 524 atendimentos.

Vários fatores provocam o desalojamento do escorpião como, o uso de inseticida; reformas estruturais e construções; limpeza de fossas, caixa de gordura, esgoto e bueiros; e as chuvas que provocam o alagamento dos esconderijos desses aracnídeos. Para que a população se previna contra acidentes por animais peçonhentos é necessário um maior conhecimento a respeito das ações de prevenção e controle pela Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde (Dival) da Secretaria de Saúde do DF.

A Dival possui Núcleos Regionais de Vigilância Ambiental (Nurvas) com equipes de técnicos responsáveis pela realização das inspeções em todo o DF, decorrentes de solicitações realizadas pela população através de telefones, emails e documentos oficiais. As inspeções buscam identificar as condições favoráveis para o acesso e abrigo dos animais peçonhentos, recomendar medidas corretivas e capturar espécimes encontrados.

A diretoria possui ainda o Núcleo de Vigilância Entomológica e Animais Peçonhentos (Nuvep) é responsável pela identificação, montagem de coleção biológica e encaminhamento de espécimes vivos para o Instituto Butantan em São Paulo para obtenção de veneno e produção de soro. Além disso, é realizada a consolidação dos dados, análise dos riscos ambientais em relação a acidentes por animais peçonhentos.

“É importante que a população tenha conhecimento dos órgãos que estão a sua disposição para prevenção. O papel da Subsecretaria de Vigilância à Saúde é esse, de prevenção e promoção da saúde. Temos diversas diretorias e gerências que atuam nestes campos, como a Dival. Essa diretoria é de grande importância para a prevenção e combate de doenças, como a dengue, que vem diminuindo consideravelmente no DF. Então, além de todo o trabalho dos vigilantes ambientais que é feito em campo, no dia-a-dia, precisamos que a população também seja nossa aliada e nos ajude a prevenir e combater doenças e as pragas urbanas”, afirma o subsecretário de Vigilância à Saúde, José Carlos Valença.

As inspeções realizadas pela vigilância ambiental buscam identificar as condições favoráveis para o acesso e abrigo dos animais peçonhentos de importância médica, recomendação de medidas corretivas e preventivas e captura de espécimes encontrados. “Nossos servidores inspecionam caixas de esgoto e de telefone, frestas e outros ambientes que possam servir de abrigo para escorpiões. Os animais são capturados utilizando uma pinça longa e encaminhados para o laboratório para identificação”, informa o biólogo da vigilância ambiental, Israel Martins.

De janeiro a abril deste ano, a Dival já registrou 258 solicitações de captura de escorpião. Durante todo o ano de 2014 foram 1260 solicitações. O que atrai os aracnídeos são quatro fatores (4 A's): água, alimento, acesso e abrigo. “Sem esses 4 A's a casa é pouco atrativa a esses animais indesejáveis”, relata Israel.

Em caso de surgimento de escorpião em residência basta ligar para o número 160 que uma equipe da vigilância ambiental da regional de saúde será acionada e fará a vistoria no local.

Medidas preventivas para evitar o surgimento de escorpião
Na área externa do domicílio:
• Manter limpos quintais e jardins, não acumular folhas secas e lixo domiciliar;
• Acondicionar lixo domiciliar em sacos plásticos ou outros recipientes apropriados e fechados e entregá-los para o serviço de coleta;
• Eliminar baratas, aranhas, grilos e outros pequenos animais invertebrados, fonte de alimento;
• Evitar entulhos de obras de construção civil e terraplanagens, superfícies sem revestimento, umidade, etc;
• Preservar os inimigos naturais, aves, pequenos macacos, quatis, lagartos, sapos e gansos (as galinhas não são agentes controladores eficazes dos escorpiões, pois possuem hábitos diurnos enquanto os escorpiões, noturnos);
• Evitar queimadas em terrenos baldios, para evitar o desalojamento;
• Remover folhagens, arbustos e trepadeiras junto às paredes externas e muros;
• Manter fossas sépticas bem vedadas, para evitar a passagem de baratas e escorpiões;
• Rebocar todas as paredes e muros, eliminando vãos ou frestas.

Na área interna do domicílio:
• Vedar soleiras de portas com rolos de areia ou rodos de borracha;
• Reparar rodapés soltos e colocar telas nas janelas;
• Telar as aberturas dos ralos, pias ou tanques;
• Telar aberturas de ventilação de porões e manter assoalhos calafetados;
• Manter berços e camas afastados, no mínimo 10 cm, das paredes e evitar que mosquiteiros e roupa de cama permaneçam em contato com o chão;
• Manter todos os pontos de energia e telefone devidamente vedados;
• Em local muito arborizado, fechar portas e janelas da residência ao entardecer;
• Manter fechado armários e gavetas;
• Examinar roupas e calçados antes de usá-los, principalmente quando tenham ficado expostos ou espalhados pelo chão.

Tipos de escorpiões no DF
No Distrito Federal, três espécies ocorrem com maior frequência, a conhecida como escorpião amarelo (responsável pela maioria dos acidentes), de nome científico Tityus serrulatus; o escorpião com patas rajadas, de nome científico Tityus fasciolatus; e o escorpião preto, com nome científico Bothriurus araguayae. Os escorpiões se destacam entre os aracnídeos por terem um tempo de vida além de uma estação, variando dos 2 aos 6 anos. O escorpião com maior longevidade registrada alcançou os 8 anos.

A ocorrência de escorpiões amarelos em todo o DF pode ser explicada pela ocupação irregular do solo e crescimento urbano aliado ao grande fluxo de materiais de construção. A habilidade de procriação, chamada reprodução partenogenética, que pode ocorrer durante todo o ano, sem parceiro sexual; e também seu comportamento de permanecer em abrigos urbanos como caixas de esgoto, de luz e de telefone, também explicam sua ampla distribuição no território.

A pessoa que encontrar um desses aracnídeos em casa deve ligar para o 160.

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