Governo do Distrito Federal
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24/08/20 às 13h32 - Atualizado em 25/08/20 às 18h11

Divisa fiscaliza exposição de alimentos e artigos infantis em drogarias

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Duas farmácias foram notificadas por não estar em conformidade com as normas vigentes

 

JOSIANE CANTERLE, DA AGÊNCIA SAÚDE DF

 

A exposição de alguns produtos nas prateleiras das farmácias deve seguir protocolos específicos. Dentro desse contexto, estão os itens geralmente utilizados por bebês e crianças, cuja legislação vigente restringe a exposição deliberada desses produtos como forma de evitar o incentivo ao consumo para promover o aleitamento materno. Cabe à Vigilância Sanitária fiscalizar como mamadeiras, chupetas, bicos e alimentos são expostos para os consumidores e se estão em concordância com as recomendações legais.

 

Vigilância Sanitária fiscaliza se estabelecimentos cumprem as normas sanitárias – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

A Vigilância Sanitária fiscaliza com base no que preconiza a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL) e as legislações vigentes. Uma equipe de fiscais foi em duas drogarias, na última sexta-feira (21), para verificar o cumprimento dessas regras. Nenhum dos estabelecimentos visitados cumpria integralmente com as normas, por isso receberam uma notificação e sete dias para se adequarem ao que diz a lei.

 

Foram observadas desconformidades como etiqueta de destaque em alguns produtos, oferta de fórmulas em panfleto publicitário, exposição de mamadeiras e chupetas em locais que chamam atenção do público, ausência da mensagem obrigatória, em caixa alta e negrito com os dizeres: “o ministério da saúde informa: o aleitamento materno evita infecções e alergias e é recomendado até os dois anos de idade ou mais”.

 

Estabelecimentos devem cumprir as regras específicas para exposição de alimentos e produtos para crianças – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

“O Brasil já tem anos combatendo o que a indústria de alimentos acabou fazendo com a educação alimentar, desde os anos 1970, com o advindo dos leites em pó mais popularizado e, aí, acreditava-se que o leite materno não era suficiente, amplamente publicizado”, explica o gerente de Alimentos, André Godoy.

 

A fim de esclarecer e reeducar a população, a NBCAL impôs limites quanto a propaganda e exposição desses alimentos. Por exemplo, nenhuma fórmula recomendada para bebês de 0 a 6 meses pode ser objeto de promoção ou ficar exposto em lugar que chame atenção. Bem como as chupetas e mamadeiras não podem ficar em lugar de destaque, entre outras regras específicas por faixa de idade, compreendendo dos 0 aos 3 anos de idade.

 

O gestor, que foi um dos fiscais na ação realizada nas farmácias, destaca que há anos os governos vêm trabalhando no incentivo a amamentação. “O leite materno é muito melhor, menos alérgico, mais nutritivo, mais eficiente, dá proteção imunológica, tem uma série de benefícios. E as legislações vem para regrar esse consumo dos industrializados”, esclarece Godoy.

 

Fórmulas nutricionais também devem ser expostas de acordo com as normas vigentes – Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

Agosto dourado

 

Com o tema “Apoie o aleitamento materno por um planeta saudável”, a campanha Agosto Dourado de 2020 tem como foco o impacto da alimentação infantil no meio ambiente, nas mudanças climáticas e na necessidade urgente de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno para a saúde do planeta e de seu povo.

 

Desde o início do mês, a Secretaria de Saúde vem promovendo várias atividades em diferentes frentes para a promoção do aleitamento materno, dentre elas a ação de fiscalização da Vigilância Sanitária junto aos estabelecimentos comerciais a fim de inspecionar o cumprimento da NBCAL.

 

Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

Para a coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno, Mirian Santos, “essa ação da Vigilância no Agosto Dourado é de extrema importância, porque no Brasil, especialmente neste período de pandemia, muitas propagandas indevidas sobre esses produtos que competem com o aleitamento materno e acabam oferecendo vantagens que não existe. Estamos trabalhando para ver como a Vigilância Sanitária pode tornar essa ação em rotina. A partir do momento que os comerciantes respeitarem a legislação a gente vai coibir esse marketing indevido”.

 

Origem da NBCAL

 

Desde 1981, o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Incentivo ao Aleitamento Materno (PNIAM/INAN) e por meio da Área de Saúde da Criança, criada em 1998, tem priorizado ações de promoção, proteção e apoio à amamentação. O objetivo do programa é melhorar os índices de aleitamento materno e a qualidade de vida das crianças, reduzindo a desnutrição e a mortalidade infantil no Brasil.

 

EDIÇÃO; JOHNNY BRAGA