Governo do Distrito Federal
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6/07/20 às 11h28 - Atualizado em 6/07/20 às 11h54

Violência autoprovocada e interpessoal: um problema que precisa de atenção

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De janeiro a abril foram 2,4 mil casos de violências interpessoais e autoprovocadas ocorridas no DF

 

JURANA LOPES, DA AGÊNCIA SAÚDE

 

A violência é considerada um problema de saúde pública e para dar visibilidade ao fenômeno, a Secretaria de Saúde criou, desde janeiro, um Informe Epidemiológico de monitoramento Quadrimestral de Violência Interpessoal e Autoprovocada no Distrito Federal. O informe compreende os meses de janeiro a abril.

 

O documento apresenta os dados gerais acerca do agravo com uma breve análise descritiva das características de violência nos indivíduos, da ocorrência e do suposto agressor, visando subsidiar as ações de promoção e prevenção em atendimento tanto às normativas quanto às políticas públicas na temática das violências.

 

Foto: Breno Esaki/Agência Saúde

 

“Trabalhamos com quatro pontos diferentes com as pessoas em situação de violência: acolhimento, notificação da violência, atendimento e seguimento em rede, que pode ser intrasetorial, envolvendo todos os setores da Secretaria de Saúde e seus profissionais e a Rede Intersetorial, que são as instituições governamentais ou não que priorizam o atendimento integral às pessoas em situação de violência e outras vulnerabilidades sociais”, explica Elizabeth Maulaz, chefe do Núcleo de Estudos, Prevenção e Atenção à Violência (NEPAV).

 

No primeiro quadrimestre de 2020, de 1º de janeiro a 30 de abril, foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan-DF) 2.455 casos de violências interpessoais e autoprovocadas ocorridas no Distrito Federal. Desse total, 1.835 (74,7%) são relativos ao sexo feminino e 620 (25,2%) ao masculino.

 

Há predominância dos casos notificados em indivíduos entre 20 a 29 anos com 30,5%, seguido pelos indivíduos entre 15 e 19 anos com 18,1% e 30 a 39 anos representando 17,8% do total das notificações. O sexo feminino tem 30,4% das notificações entre 20 a 29 anos, 18,4% entre 15 a 19 anos e 17,9% entre 30 e 39 anos de idade. O sexo masculino tem 30,6% das notificações entre 20 a 29 anos, 17,6% entre 30 a 39 anos e 17,1% entre 15 a 19 anos de idade.

 

O objetivo deste informe é conhecer o perfil das pessoas em situação de violência e criar políticas públicas voltadas para combater estes índices”, informa.

 

Na distribuição dos casos seguindo as Regiões de Saúde, as regiões com maior incidência de casos de violência notificados foram: Plano Piloto na Central, Guará na Centro-Sul, Paranoá na Leste, Planaltina na Norte, Ceilândia na Oeste, Samambaia na Sudoeste e, Gama na Região Sul.

 

TIPOS – No primeiro quadrimestre de 2020, a violência mais notificada no sexo feminino é a física com 22,3%, sexual com 21,8%, violência psicológica/moral com 9,3% e negligência/abandono com 2,2%. No sexo masculino a violência mais notificada é a física com 24,6%, sexual com 7,7%, negligência/abandono com 6,8% e violência psicológica/moral com 5,9%. A tentativa de suicídio tem frequência de 28,1% no sexo feminino e de 19,9% no masculino.

 

Em 84,2% das notificações o agressor é único. Na violência doméstica, os vínculos mais frequentes são desconhecidos, amigos/conhecidos, cônjuge, pai e mãe. Para o sexo feminino, as maiores frequências são para desconhecidos, cônjuge, amigos/conhecidos, pai e ex-cônjuge. E, para o sexo masculino são pai e mãe, desconhecidos, amigos/conhecidos e padrasto.

 

ÓBITOS – No primeiro quadrimestre de 2020, foram registrados no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) 25 óbitos por violência ocorridos no DF. Desse total, 16% são relativos ao sexo feminino e 84% ao masculino, com predomínio nos indivíduos entre 30 a 39 anos de idade (32% do total) seguido pelo grupo etário de 20 a 29 anos (28% do total) e, pelos indivíduos de 40 a 49 anos de idade (16% do total).

 

Os óbitos por violência são mais frequentes em indivíduos de raça/cor de pele parda com 68% do total, sendo 50% entre as mulheres e 71,4% entre os homens. Os óbitos por violência são mais frequentes em indivíduos solteiros em 84% do total, sendo 75% no sexo feminino e 85,7% no masculino

 

“Os perfis descritos das morbidades de violências apontam para a dificuldade em dar visibilidade ao problema. Assim, é fundamental o olhar atento das equipes de saúde para captar as violências “ocultas”, de forma humanizada, prover o cuidado e orientar o encaminhamento oportuno, dentro da rede de atenção e proteção social, conforme as diretrizes de uma Linha de Cuidado para Atenção Integral à Saúde das pessoas em Situação de Violência, em fase de consulta pública”, conclui Elisabeth.

 

ATENDIMENTO – Os ambulatórios dos Centros de Especialidade para Atenção às Pessoas em Situação de Violência Sexual, Familiar e Doméstica continuam funcionando de segunda à sexta-feira, das 8h às 18h, em todas as unidades.