Governo do Distrito Federal
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7/07/21 às 13h00 - Atualizado em 7/07/21 às 17h56

Você sabe como funciona a Rede de Frio?

Estrutura é fundamental para garantir segurança e correta distribuição das vacinas e soros para picadas de animais peçonhentos

 

LÍVIA DAVANZO, DA AGÊNCIA SAÚDE-DF

 

Ao longo da vida, tomamos diversas vacinas que nos protegem das mais variadas doenças. Desde o nascimento até a fase adulta, precisamos manter o cartão vacinal atualizado para evitar que doenças já erradicadas voltem a circular ou mesmo para conter que novas enfermidades avancem, como o caso da Covid-19. Mas, você já parou para pensar como as vacinas chegam às salas de vacinação? Qual a logística existente por trás dessa distribuição?

 

Vacinas ficam armazenadas sob refrigeração controlada na Rede de Frio – Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde-DF

Muito falada durante a campanha de vacinação contra o coronavírus, a Rede de Frio desempenha um papel fundamental no armazenamento e distribuição das vacinas que chegam até à população. Além dos imunizantes para humanos e da campanha antirrábica animal, os soros para picadas de animais peçonhentos também ficam armazenados no local.

 

“A Rede de Frio é um processo amplo, que inclui uma área administrativa orientada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), por meio de normatização, planejamento, avaliação e financiamento que visa à manutenção adequada da cadeia de frio”, explica a chefe do Núcleo de rede de frio central, Tereza Luiza.

 

A cadeia de frio, por sua vez, operacionaliza a logística da Rede de Frio no que diz respeito à conservação dos imunobiológicos – vacinas, soros e imunoglobulinas. Esse processo vai desde o laboratório produtor até o usuário, passando pelas etapas de recebimento, armazenamento, distribuição e transporte com o objetivo de assegurar a preservação de suas características originais.

 

Distrito Federal

 

A Rede de Frio do Distrito Federal foi inaugurada em 2001. Sua estrutura é composta de câmara frigorífica, câmaras frias verticais, freezers – sendo um de ultrabaixa temperatura – aparelhos de ar condicionado e gerador. Esses equipamentos comportam o armazenamento de 600 mil doses de imunobiológicos por mês, podendo chegar até um milhão de doses/mês nos meses de campanha.

 

Além disso, conta com almoxarifado onde ficam guardadas mais de dois milhões de unidades de insumos necessários à vacinação, como caixas térmicas, bobinas de gelo reutilizáveis, termômetros, seringas, agulhas, caixas coletoras de perfuro cortante, álcool e impressos utilizados na rotina e campanhas de vacinação. Os quatro veículos climatizados transportam os imunobiológicos e insumos da Rede de Frio Central, localizada no Parque de Apoio da Secretaria de Saúde, para as oito redes de frios regionais e suas respectivas salas de vacinação.

 

Soro para picada de aranha e escorpião – Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde-DF

Toda essa cadeia aqui no DF é movimentada por uma equipe de 24 servidores divididos em três áreas: coordenação, dispensação de imunobiológicos (área fria) e dispensação de insumos (área quente). São enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêutico, técnicos e analista de políticas públicas e administrador.

 

Funcionamento

 

A Rede de Frio do Distrito Federal emite mensalmente pedido de imunobiológicos ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde para atendimento da vacinação de rotina. “A central de distribuição nacional do ministério, localizada em São Paulo, realiza a distribuição dos imunobiológicos uma vez ao mês, via aérea ou terrestre”, destaca Tereza.

 

Cada modalidade de transporte exige uma logística diferente. Quando a entrega ocorre via aérea, o operador logístico retira a carga no aeroporto com o caminhão refrigerado e transportado até a Rede de Frio. Já quando chega via terrestre, o veículo parte de São Paulo, chega ao galpão do operador logístico, onde ocorre a troca de veículo e motorista, e parte para a Rede de Frio.

 

“Na chegada à Rede de Frio, o veículo é direcionado à doca para descarregamento da carga. Os imunobiológicos são encaminhados para a área fria de recebimento, com temperatura ambiente de 18ºC. Todos os volumes são abertos para a conferência da temperatura, lote e inspeção quanto a avarias, e direcionados imediatamente para a câmara fria, onde é realizada a contagem junto à nota de fornecimento, organização e armazenamento”, detalha Tereza.

 

Distribuição para regiões

 

A equipe da Rede de Frio realiza diariamente a distribuição dos imunobiológicos de rotina do calendário nacional de vacinação para as oito Redes de Frio Regionais localizadas nas setes regiões de saúde. Esse processo ocorre mediante pedidos efetuados pelas regiões e analisado conforme consumo médio, população e número de salas de vacina.

 

Vacinas e soros são distribuídos para as regiões em caixas térmicas para manter a temperatura – Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde-DF

Já as vacinas de campanha obedecem aos roteiros de cada uma, com recebimentos e distribuição semanais. É o que acontece, por exemplo, na campanha de vacinação contra a Influenza e contra a Covid-19.

 

Até junho de 2021, a Rede de Frio já distribuiu um total de 2.993.055 doses de imunobiológicos utilizados na vacinação de rotina e nas campanhas de vacinação.

 

Animais peçonhentos

 

Para além da logística das vacinas e dos insumos, a Rede de Frio também faz a gestão dos soros para picadas de animais peçonhentos. Em 2021, até o dia 28 de junho, foram distribuídas 843 ampolas para as regiões de saúde, sendo que 779 foram utilizadas.

 

Em caso de acidente por animais peçonhentos, o usuário deve procurar a emergência mais próxima.

 

 

Soros contra veneno de animais peçonhentos – Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde-DF

Todo paciente que vai ao hospital em busca de atendimento tem o caso de acidente com animais peçonhentos notificado no sistema do Ministério da Saúde e da secretaria. A partir dos dados, é possível prever o estoque necessário de soros contra os diferentes venenos para assegurar a reposição ao longo do ano nas unidades de saúde da rede.

 

Os soros são encaminhados às Redes de Frio Regionais, que são responsáveis por abastecer os hospitais de referência da sua região.

 

Campanha antirrábica

 

A Campanha Antirrábica Animal normalmente ocorre no mês de agosto e é organizada pela Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival), que planeja as estratégias de vacinação, a quantidade de postos e quantitativos de dose de antirrábica animal que serão necessárias para atendimento da campanha. Com esse planejamento, a Rede de Frio solicita as doses ao Ministério da Saúde e as distribui para as Inspetorias de Vigilância Ambiental, que são responsáveis por aplicá-las nos cães e gatos.

 

Além das doses para o atendimento da Campanha Antirrábica Animal, a Rede de Frio mantém sempre um quantitativo em estoque para atender as Inspetorias que fazem vacinação antirrábica o ano todo.