Hepatites Virais (B, C e D)

O que são hepatites virais?
As hepatites virais são doenças causadas por diferentes vírus hepatotrópicos (infectam o fígado) que apresentam características epidemiológicas, clínicas e laboratoriais distintas.
Possuem distribuição universal e são observadas diferenças regionais de acordo com o agente etiológico. O homem é o reservatório de maior importância epidemiológica.
Os mais relevantes agentes etiológicos de hepatites sexualmente transmissíveis são os vírus B (HBV), C (HCV) e D (HDV), que causam frequentemente hepatite crônica, havendo possibilidade de provocar lesão progressiva do fígado (cirrose) e carcinoma hepatocelular (câncer). Em casos graves, pode haver a necessidade de transplante do órgão (mais frequente na hepatite C) ou evoluir ao óbito.


Como ocorre a transmissão das hepatites virais?
As hepatites virais B, C e D são transmitidas pelo sangue (via parenteral, percutânea e vertical), esperma e secreção vaginal (via sexual). A transmissão pode ocorrer pelo compartilhamento de objetos contaminados como:

  • Lâminas de barbear e de depilar;
  • Escovas de dente;
  • Alicates e acessórios de manicure e pedicure;
  • Materiais para colocação de piercing e para confecção de tatuagens;
  • Materiais para escarificação da pele para rituais;
  • Instrumentos para uso de substâncias injetáveis, inaláveis (cocaína) e pipadas (crack).

Pode ocorrer a transmissão também em acidentes com exposição a material biológico, procedimentos cirúrgicos, odontológicos, hemodiálise, transfusão, endoscopia, entre outros, quando as normas de biossegurança não são aplicadas.
O vírus da hepatite B é estável em superfícies e pode resistir no meio ambiente por cerca de sete dias. Enquanto o vírus da hepatite C pode sobreviver por até 72 horas fora do corpo humano.

Obs.: As hepatites virais A e E são transmitidas pela via fecal-oral, predominantemente, mas pode haver transmissão por relação sexual desprotegida (contato boca-ânus).


Quais são os principais sinais e sintomas das hepatites virais?
Na maioria das vezes são infecções assintomáticas, ou seja, não apresentam sintomas.
Entretanto, quando presentes, podem se manifestar como:

  • Cansaço;
  • Febre;
  • Mal-estar;
  • Tontura;
  • Enjoo;
  • Vômitos;
  • Dor abdominal;
  • Colúria – urina escura;
  • Acolia fecal – fezes muito claras, semelhantes à “massa de vidraceiro”;
  • Icterícia – pele e olhos amarelados.

A ausência de sintomas na fase inicial dificulta o diagnóstico precoce. Os pacientes podem
solicitar espontaneamente a realização do teste rápido nas unidades básicas de saúde.


Como se prevenir?

  •  Vacinação para Hepatite B (disponível para toda a população);
  • Testagem regular para hepatite B e C;
  • Uso de preservativos internos ou externos, disponíveis em toda a rede pública de saúde;
  • Testagem para hepatite B e C de todas as gestantes no 1º trimestre da gestação, ou quando se iniciar o pré-natal;
  • Não compartilhar materiais pessoais (escova de dente, lâmina de barbear, alicates de unhas.);
  • Não compartilhar seringas, agulhas, cachimbos, canudos no caso de uso de drogas;
  • Não compartilhar objetos para confecção de tatuagem (inclusive tinta) e colocação de piercings;
  • Testar os contatos sexuais e domiciliares de pessoas com hepatites B, C ou D.

Como é feito o diagnóstico?
A maioria das pessoas com infecção crônica pelas hepatites virais desconhece seu diagnóstico, contribuindo para manutenção da cadeia de transmissão dessas infecções.
A descoberta oportuna da infecção por esses vírus permite um tratamento adequado e impacta diretamente a qualidade de vida do indivíduo e de seus familiares.
O diagnóstico das hepatites virais é baseado na detecção dos marcadores presentes no sangue, soro ou plasma, que pode ser realizado por meio de testes rápidos, disponíveis em todas as unidades básicas de saúde do Distrito Federal. Além disso, também são realizados exames laboratoriais complementares.
Após esses exames o paciente poderá ser encaminhado para o tratamento, disponibilizado pelo SUS, com medicamentos capazes de curar a infecção ou impedir a progressão da doença.


Como é realizado o tratamento?

Os tratamentos para Hepatite B e C, estão disponíveis pelo SUS.

A Hepatite B não tem cura. Os tratamentos disponíveis atualmente têm como objetivo impedir a progressão da cirrose, diminuir a incidência de câncer de fígado e melhorar a sobrevida em longo prazo.

A Hepatite C tem cura. Os medicamentos disponíveis, chamados antivirais de ação direta (DAA), quando usados adequadamente, promovem taxas de cura da infecção pelo HCV superiores a 95%, com esquemas de tratamentos com duração de 8, 12, 16 e 24 semanas. Os DAA revolucionaram o tratamento da hepatite C, possibilitando a eliminação da infecção.
Todas as pessoas com infecção pelo vírus da hepatite B e C podem receber o tratamento pelo SUS.


Orientações para profissionais de saúde

A notificação compulsória das hepatites virais tem como objetivo monitorar o comportamento desses agravos e seus fatores condicionantes e determinantes, com a finalidade de recomendar e adotar medidas de prevenção e controle e avaliar o seu impacto.
As hepatites virais são doenças de notificação compulsória regular (em até 7 dias). Sendo obrigatória a médicos e outros profissionais de saúde no exercício da profissão, bem como aos responsáveis por organizações e estabelecimentos públicos e particulares de saúde e ensino a notificação de casos suspeitos ou confirmados, em conformidade com o artigo 8º da Lei 6.259 de 30 de outubro de 1975.

Ficha de Notificação Compulsória de Hepatites Virais disponível em:
https://portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Hepatites_Virais/Ficha_Hepatites_Virais.pdf

Instrucional de preenchimento da ficha de notificação/investigação 
http://portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Hepatites_Virais/Instrucional_HEPATITES_VIRAIS.pdf

Para mais informações consultar:
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite B e Coinfecções
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite C e Coinfecções 2019
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatites Virais (PCDT-TV) -
O Guia de Vigilância em Saúde (GVS) 
 

 

Notas técnicas e circulares

NOTA INFORMATIVA N.º 2/2023 - SES/SVS/DIVEP/GRF- Recomendações para o uso da Imunoglobulina Humana Anti-Hepatite B

NOTA TÉCNICA Nº 72/2023-CGAHV/.DATHI/SVSA/MS- Esclarece as indicações do uso de tenofovir alafenamida para o tratamento da hepatite B crônica em pacientes monoinfectados e coinfectados com HIV.

NOTA TÉCNICA Nº 30/2023-CGAHV/.DVIAHV/SVSA/MS- Estabelece os esquemas terapêuticos para o tratamento da hepatite C no âmbito do SUS.

OFÍCIO CIRCULAR Nº 5/2023-CGAHV/.DVIAHV/SVSA/MS- Trata de alteração das recomendações para realização do exame de genotipagem do vírus da hepatite C (HCV) no SUS.

CIRCULAR N.º 37/2021 - SES/SVS/DIVEP/GEVIST- Divulgação do “Manual de inconsistências ou alertas nos registros das notificações de Hepatites Virais” e do “QuaLinfo”

NOTA INFORMATIVA Nº 55/2019-CGAE/.DIAHV/SVS/MS- Orientações acerca dos critérios de definição de casos para notificação de hepatites virais.

NOTA INFORMATIVA N.º 7/2022 - SES/SVS/DIVEP/GEVIST - Trata da notificação de hepatite B para pacientes em uso de tratamento para prevenção da reativação viral em caso de futura terapia imunossupressora.

OFÍCIO CIRCULAR Nº 24/2022/CGAHV/.DCCI/SVS/MS - Orientações sobre o fluxo para o envio de dúvidas e demandas relacionadas ao tratamento das hepatites virais no SUS ao Programa Nacional de Hepatites Virais.

CIRCULAR N.º 1/2022 - SES/SAIS/ARAS/GCCRC-DF- Retirada dos testes de hepatites B e C da lista de exames de triagem sorológica de gestantes da empresa KNC MEDICINA DIAGNÓSTICA LTDA.

NOTA INFORMATIVA Nº 35/2019-CGIST/.DCCI/SVS/MS - Dispõe sobre a disponibilização de tenofovir (TDF) para gestante com hepatite B nas Unidades Dispensadoras de Medicamentos (UDM) para a prevenção da transmissão vertical da hepatite B.

NOTA INFORMATIVA N.º 2/2021 - SES/SAIS/CATES/DIASF/GAFAE -Mudança dos medicamentos para hepatites virais do elenco Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) para o elenco Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica (CESAF).

CIRCULAR N.º 4/2021 - SES/SVS/DIVEP/GEVIST - Fluxo de dispensação de medicamentos para hepatite C.

CIRCULAR N.º 3/2021 - SES/SVS/DIVEP/GEVIST - Orientações quanto à obrigatoriedade de prescrição e dispensação de medicamentos para hepatites B e C de acordo com os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas e demais documentos técnicos norteadores, publicados pelo Ministério da Saúde.

OFÍCIO Nº1/2021 SES/SVS/DIVEP/GEVIST - Trata sobre a notificação das Hepatites Virais na rede privada do Distrito Federal.

NOTA TÉCNICA Nº 369/2020-CGAHV/.DCCI/SVS/MS - Orientações sobre a atuação da(o) enfermeira(o) para a ampliação estratégica do acesso da população brasileira ao diagnóstico das hepatites B e C e encaminhamento de casos detectados para tratamento.

NOTA TÉCNICA N.º 3/2020 - SES/SVS/DIVEP/GEVIST - Recomendações para a prevenção da transmissão vertical de Hepatite B no âmbito da SES-DF.