08/04/2022 às 20h13 - Atualizado em 08/04/2022 às 20h13

Cuidados podem reduzir em até 30% a incidência de câncer

Hábitos saudáveis, rastreamento e diagnóstico precoce são importantes para prevenir a doença

JADE ABREU, DA AGÊNCIA SAÚDE-DF | EDIÇÃO: MARGARETH LOURENÇO | REVISÃO: JULIANA SAMPAIO

 

 

 

 

Quem adota hábitos saudáveis e medidas de prevenção pode reduzir em até 30% a chance de desenvolver um câncer. Esta sexta-feira (8) é Dia Mundial de Combate ao Câncer. A data chama a atenção para cuidados em relação à doença. Pelas informações registradas no InfoSaúde-DF, neste ano 4.640 consultas foram realizadas em pacientes.

 

Referência Técnica Distrital (RTD) em oncologia clínica, o médico Gustavo Ribas ressalta a importância em conscientizar a população sobre hábitos possíveis de serem modificados, independente das condições relacionadas a características genéticas. Para isso, recomenda-se uma alimentação rica em fibras, verduras, legumes; a ingestão de líquidos, bem como evitar o uso abusivo de álcool e o tabagismo.

 

O especialista destaca que há tumores associados ao ganho de peso. “Uma mulher que é obesa e com o histórico familiar, o risco dela para o câncer de mama é quatro vezes maior do que de outra sem esse quadro”, afirma. O médico ressalta que o principal fator na mama é genético, mas que os exercícios e controle de peso podem reduzir as possibilidades de desenvolver a doença.

 

Uma dieta não balanceada pode levar ao câncer de intestino. “Quanto mais gordura visceral, maior é a chance de transformação de uma célula gordurosa em uma célula tumoral”. O médico ressalta que em um churrasco, por exemplo, a pessoa deve dar preferência à carne ao ponto. Isso porque a carne bem passada tem uma casquinha mais escura, sendo um alimento rico em benzenos, hidrocarbonetos e nitrosaminas, que trazem malefícios à saúde.

 

“Essas substâncias têm ação local no intestino, então conforme se ingere é como se fizesse uma lesão. Aí teve contato de novo, vai lá e forma outra ferida e aí a célula vai se transformando”, detalha o especialista. Carnes assadas que ficam com um fundo “queimado” na panela, muitas vezes usadas em receitas para molhos, caldos ou farofas, também liberam essas substâncias. “São acumuladoras no organismo, quanto mais se está exposto, mais chance de desenvolver”.

 

O exame para fazer o rastreamento de possíveis lesões nos intestinos é a colonoscopia, indicada para pacientes a partir dos 50 anos e sem histórico familiar. Nesses casos, deve ser repetido a cada cinco anos; e para pacientes com histórico, a partir dos 45 anos e acompanhamento a cada dois.

 

“A questão da idade mais impactante é a próstata. Um homem de 90 anos tem 90% de chance de ter célula tumoral na próstata”, explica o médico. Ele ressalta a importância do exame de toque e da consulta com urologistas para os homens a partir dos 50 anos. “Pode ser uma célula recente, nova e que não se desenvolva, mas é preciso fazer o monitoramento”.

 

O médico reforça que também há tumores associados ao tabagismo e reforça a importância de parar de fumar. “O principal é o tumor de pulmão, mas é importante lembrar que há outros tumores associados ao tabagismo por exemplo, o tumor de bexiga, a região que a gente chama de zona de cancerização que vai desde a boca até o esôfago”, relata.

 

Diagnóstico e tratamento

 

Ao perceber qualquer sintoma, o usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) deve ir a uma Unidade Básica de Saúde, na qual será feito um exame clínico. No caso de alguma suspeita, o paciente é encaminhado ao especialista, por exemplo: o mastologista, o ginecologista oncológico, o urologista.

 

A partir do resultado de exame de biópsia, caso seja diagnosticado com câncer, os pacientes são regulados e encaminhados à Central de Alta Complexidade (Cacom) do Hospital de Base ou à Unidade de Alta Complexidade (Unicom) do Hospital Regional de Taguatinga ou Hospital Universitário de Brasília.

 

A quimioterapia é disponibilizada na rede do DF pelo SUS e o tratamento é feito nessas unidades. “Então é importante lembrarmos que a partir do diagnóstico histopatológico [biópsia] o paciente é inserido na rede e toda a sua linha de cuidado é acompanhada e sua trajetória é pormenorizada”, afirma o médico.