Diversidade sexual e de gênero: Saúde participa de seminário sobre os direitos de crianças e adolescentes
Diversidade sexual e de gênero: Saúde participa de seminário sobre os direitos de crianças e adolescentes
Debate foi pautado nas temáticas de saúde, educação e convivência familiar
Karinne Viana, da Agência Saúde-DF | Edição: Fabyanne Nabofarzan
A Secretaria de Saúde (SES-DF) marcou presença, nesta segunda-feira (8), no seminário “Transcender: Infâncias e Adolescências por Direitos, promovido pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), por meio do Núcleo de Enfrentamento à Violência e à Exploração Sexual contra a Criança e o Adolescente (Nevesca).
O encontro visou promover o debate sobre os direitos de crianças e adolescentes no contexto de diversidade sexual e de gênero, nas temáticas de saúde, educação e convivência familiar. O evento, em parceria com o Fórum da Diversidade Victória Jugnett, foi destinado para membros, servidores e público externo.

Representando a SES-DF, a gerente do Serviço Social e membro da Câmara Técnica de Atenção à Saúde da População LGBTQIA+ do Distrito Federal, Mariana Mota, destacou a importância do atendimento integral às crianças e adolescentes. “Essas pessoas necessitam mais do que hormonização ou intervenção cirúrgica, elas precisam ser atendidas nas Unidades Básicas de Saúde [UBS] de maneira integral, com cuidado abrangente em saúde”, explicou.

Políticas públicas
A ação permitiu a análise da importância de desenvolver e adequar políticas públicas para assegurar de maneira eficaz os direitos previstos na legislação vigente, com destaque para o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no contexto do Distrito Federal (DF). Na ocasião, a coordenadora do Fórum da Diversidade Victória Jugnett, Keka Bagno, reiterou a necessidade de promover o debate.
“Observamos a carência de políticas públicas que realmente compreendam a complexidade da existência de crianças e adolescentes, levando em consideração suas diversidades de raça, classe, gênero, território, entre outras questões. Portanto, este seminário é essencial não apenas no sentido de provocar as instituições públicas, o judiciário e o próprio Governo do Distrito Federal [GDF], mas também para estabelecermos parcerias e colaborar na construção dessas políticas públicas de forma conjunta”, disse.
Durante o encontro, Alis Gabriella, adolescente trans de 17 anos, abordou os desafios enfrentados pela comunidade transexual. “Ser uma pessoa trans e manter a saúde mental é praticamente impossível. É desafiador olhar-se no espelho e sentir amor próprio. É uma luta constante consigo mesmo, com a família, a religião e a sociedade em geral. É frustrante que só tenham começado a reconhecer nossa existência recentemente, considerando que sempre estivemos aqui”, explicou a jovem que estava representando o Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal (Cedeca-DF) .
Ao final do evento, foi reservado espaço para o público presente partilhar experiências e visões a respeito do tema.