29/08/2025 às 17h08

Esclerose múltipla: diagnóstico precoce é fundamental para qualidade de vida

Embora não tenha cura, condição pode ser controlada; doença é mais comum em jovens entre 20 a 40 anos

Larissa Lustoza, da Agência Saúde DF | Edição: Willian Cavalcanti

Muitas vezes silenciosa e confundida com outras doenças, a esclerose múltipla (EM) é uma condição crônica que atinge cerca de 40 mil pessoas no Brasil – aproximadamente 1,2 mil no Distrito Federal. Neste sábado (30), o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla reforça a importância da informação e do diagnóstico precoce.

A EM é uma doença crônica que compromete o sistema nervoso central. O sistema imunológico ataca a bainha de mielina dos neurônios – estrutura que reveste e protege os neurônios –, provocando danos e comprometendo esporadicamente as funções neurais, em episódios conhecidos como surtos.

“Embora não tenha cura, a doença pode ser controlada com acompanhamento médico e contínuo a longo prazo. Felizmente, a doença não apresenta altos índices de mortalidade”, explica a referência técnico de neurologia da Secretaria de Saúde (SES-DF), Stephanie Almeida. Segundo a profissional, o objetivo do tratamento é reduzir a inflamação, aumentar o intervalo entre os surtos e preservar a qualidade de vida do paciente. 
 


Sintomas

Por causar o processo inflamatório e atingir diversas partes do sistema nervoso central, a doença gera sintomas diversos. Quando não tratada, a condição progride no decorrer do tempo, sendo marcada por episódios de crises – os surtos –, seguidos por período de estabilidade.

Alguns sintomas possíveis são dormências ou formigamento, perda da força muscular, dificuldade para andar e falta de coordenação dos movimentos. Também pode causar fadiga, visão borrada, tonturas e desequilíbrios, dificuldades de controle da bexiga ou intestino, entre outros.

A doença é mais comum em jovens entre 20 a 40 anos, sendo predominante em mulheres. A especialista da SES-DF ressalta que o diagnóstico requer uma avaliação clínica detalhada. “Geralmente, o diagnóstico é associado a diversos exames laboratoriais e de imagem, como a ressonância magnética, além de testes específicos, como a pesquisa de bandas oligoclonais e de biomarcadores imunológicos”, detalha. 
 

Quando não tratada, a esclerose múltipla progride no decorrer do tempo, sendo marcada por episódios de crises. Foto: Arquivo Agência Saúde DF

Tratamento

A rede pública do DF oferece tratamentos medicamentosos de alta eficácia que buscam reduzir esta atividade inflamatória. O atendimento é realizado por neurologistas das regionais, através de regulação médica, garantindo que os pacientes recebam o cuidado especializado necessário. 

Além disso, a rede pública tem atendimento específico em doenças desmielinizantes em ambulatórios de referência no Hospital de Base (HB), Hospital Universitário de Brasília (HUB) e no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Neste caso, os pacientes também são direcionados por meio da regulação.

Principais tipos de esclerose múltipla

A esclerose múltipla pode se apresentar de duas formas: remitente recorrente (EMRR) e primariamente progressiva (PP). A EMRR se manifesta através de surtos, que melhoram por dias ou semanas, e o paciente volta ao seu estado prévio ao evento. Ao longo dos anos, sem tratamento e dependendo das características, o paciente pode ter novos surtos pontuais. Já na primariamente-progressiva, o paciente apresenta o primeiro surto e, a partir daí, ocorre uma piora progressiva da doença.