25/04/2022 às 18h35 - Atualizado em 25/04/2022 às 18h51

Motolâncias garantem maior agilidade em atendimentos do Samu de ocorrências severas

Duplas compostas por técnicos de enfermagem e enfermeiros prestam primeiro socorro e veículos abrem abrem caminho para ambulâncias

JURANA LOPES, DA AGÊNCIA SAÚDE-DF

Hoje, são 10 duplas de motolâncias, totalizando 20 motocicletas disponíveis em todo o Distrito Federal. Foto Sandro Araújo - Agência Saúde DF

Dentre as viaturas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), um tipo destaca-se pela agilidade com que consegue chegar às ocorrências. São as motolâncias, motocicletas equipadas com material necessário para fazer o atendimento pré-hospitalar (APH), tanto clínico quanto de trauma, e acionadas pelos médicos da Central de Regulação 192. Os atendimentos prestados pelas motolâncias ocorrem desde 2009 e sempre em dupla, obrigatoriamente pilotadas por técnicos de enfermagem ou enfermeiros.

Hoje, são 10 duplas de motolâncias, totalizando 20 motocicletas disponíveis em todo o Distrito Federal. O motivo de serem duplas é pelo fato de um material complementar o outro, ocupando dois baús carregados com desfibrilador automático (DEA), talas de imobilização, medicamentos, entre outros. O objetivo do serviço é diminuir o tempo resposta nos atendimentos, principalmente os mais graves.

“A proposta do nosso trabalho é nos deslocar o mais rápido possível no trânsito para fazer os primeiros socorros. Dependendo do grau de gravidade da ocorrência a ambulância vai atrás para dar suporte e transportar esse paciente até um hospital ou UPA”, explica o enfermeiro Raphael Martins, do Grupamento de Motociclistas em Atendimento de Urgência (GMAU).

As motolâncias atuam muitas vezes em ocorrências severas, abrindo caminho no trânsito para as ambulâncias. Mas, devido à alta demanda e ao grande número de chamados, também atendem ocorrências moderadas, em que o transporte do paciente pode não ser necessário, situação na qual ele pode ser estabilizado permanecendo no local.

“O trânsito é um dos nossos maiores desafios. Nós já prevemos alguns riscos, mas é gratificante ver que temos um retorno imediato da população. As pessoas agradecem na hora pelo nosso trabalho”, observa o técnico de enfermagem do GMAU, Guilherme Bonfim.


A cobertura de duplas de moto do SAMU distribui-se em todas as regiões de atendimento do DF. Somente em 2021 foram mais de 3 mil operações registradas. Foto Sandro Araújo - Agência Saúde DF

Adrenalina

A velocidade e a necessidade de correr contra o tempo para salvar uma vida são gatilhos que geram muita adrenalina em quem pilota uma das motolâncias do SAMU. “Saímos da base com todo aquele gás, e o nosso desafio é manter o equilíbrio emocional, principalmente em atendimentos pediátricos, isso mexe demais com o nosso psicológico”, afirma Raphael.

Para Guilherme, uma dificuldade que eles encontram nos atendimento é localizar endereços. Por isso, é tão importante informar na hora de registrar a ocorrência na Central 192 o ponto de referência correto.

Os dois atuam na base do SAMU da QNJ, em Taguatinga. Apesar dos riscos diários, da adrenalina e velocidade em cima de duas rodas, eles amam o que fazem e agradecem por nunca ter ocorrido nenhum óbito entre a equipe que trabalha nas motolâncias. “Gostamos de estar aqui, fazemos isso por amor”, concluem.

A cobertura de duplas de moto do SAMU distribui-se em todas as regiões de atendimento do DF. Somente em 2021 foram mais de 3 mil operações registradas pela Central de Regulação.