12/05/2022 às 19h29 - Atualizado em 12/05/2022 às 19h38

Voluntários preparam Horto do Lago Norte para enfrentar período da seca

Sistema de irrigação assegura perenidade das plantas medicinais e atividade promove a saúde por meio da participação comunitária

Jurana Lopes, da Agência Saúde-DF | Edição: Margareth Lourenço

Moradores do Lago Norte estiveram com a equipe da UBS 1 nesta quinta-feira. Foto: Sandro Araújo - Agência Saúde-DF

Nesta quinta-feira (12), moradores do Lago Norte e região estiveram no Horto Agroflorestal Medicinal Biodinâmico, da UBS 1 do Lago Norte, para implantar sistema de irrigação. Durante a tarde de trabalho, os participantes plantaram novas mudas e colheram algumas espécies.

Mais do que assegurar água para as plantas no período da seca, a ação promove a saúde por meio da articulação comunitária, além do fortalecimento de vínculos saudáveis entre a comunidade, defende o médico da família e Referência Técnica Distrital (RTD) de Fitoterapia, Marcos Trajano. “É uma forma de integração, de cuidado. Além da oferta de plantas medicinais, o cultivo se transformou em uma prática de saúde, em que as pessoas se encontram, saem de suas casas para vir até aqui, criam vínculo e identidade com a unidade básica de saúde”, defende o médico.

No horto são cultivadas plantas alimentícias não convencionais, plantas medicinais e plantas tóxicas, pois todas elas são necessárias, tanto na produção de fitoterápicos como na educação em saúde. “A comunidade precisa conhecer as plantas e saber quais são as corretas para o tratamento de saúde, bem como as que não devem ser utilizadas”, destaca Trajano.

As plantas medicinais cultivadas ali são entregues para a própria comunidade. Recentemente, começaram a também serem enviadas para o Centro de Referência em Práticas Integrativas em Saúde de Planaltina (Cerpis) onde são manipuladas para retirada do extrato. Essa matéria-prima é enviada ao Laboratório de Farmacotécnica de Taguatinga, onde são produzidos medicamentos fitoterápicos para utilização de pacientes oncológicos internados.


Médico Marcos Trajano defende fortalecimento entre UBS e comunidade. Foto Sandro Araújo - Agência Saúde-DF

A farmacêutica Eva Fontes atua no Laboratório de Farmacotécnica de Taguatinga e conta que estão produzindo, entre outras formulações, gel da camomila, que serve para auxiliar no tratamento de aftas, que aparece em pacientes oncológicos devido ao uso de fortes medicações.

“É muito importante estar aqui hoje, unir forças nos projetos dos hortos agroflorestais. Ao apoiar o cultivo de plantas medicinais, acabamos auxiliando no tratamento de várias pessoas”, diz a farmacêutica.


No horto são cultivadas plantas necessárias na produção de fitoterápicos. Foto Sandro Araújo - Agência Saúde-DF

Atividades presenciais

Desde março deste ano, os hortos agroflorestais medicinais biodinâmicos reabriram suas atividades públicas. No Horto do Lago Norte, os encontros ocorrem às quintas-feiras a partir das 14h, sob a supervisão do médico Marcos Trajano.

Juarez Martins é voluntário do horto há três anos e conta que se interessou pela atividade depois de investigar como era produzida a tintura de guaco, que ele utiliza para enfrentar crises de asma. Mesmo morando em Sobradinho, não deixa de ir nas atividades de cultivo. “Eu gosto muito de mexer com plantas e me sinto útil em ajudar. Sei da importância do cultivo dessas plantas para o preparo de medicamentos distribuídos para os pacientes, então estou prestando um serviço importante”, relata.

Já Mário Machado é morador do Lago Norte e voluntário desde a criação do espaço, em 2018. Ele decidiu colaborar após a esposa receber atendimento na unidade de saúde que fica ali mesmo. “Decidi dedicar um pouco do meu tempo para esse serviço, que é destinado à comunidade. Reunimos diversas pessoas nessa atividade, é uma maneira de pensar na coletividade", assegura.

Saiba mais sobre os hortos agroflorestais da Secretaria de Saúde (Horto da UBS 1 do Lago Norte foi reaberto à população).