19/01/2026 às 07h55

Insolação: verão e exposição prolongada ao sol acendem alerta para saúde

Altas temperaturas exigem atenção aos sinais do corpo e cuidados imediatos após longos períodos ao ar livre

Karinne Viana, da Agência Saúde DF | Edição: Natália Moura

Horas de sol na praia, na piscina ou em atividades ao ar livre parecem inofensivas, mas também podem desencadear problemas de saúde. Com o verão começando, a insolação volta a ser um risco comum. Nesse contexto, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) alerta para os cuidados essenciais.

“A insolação é causada pela exposição prolongada ao sol ou a altas temperaturas, levando a um superaquecimento do corpo que não consegue mais regular sua própria temperatura. É uma emergência médica que exige atenção imediata”, explica a dermatologista e coordenadora dos ambulatórios de Psoríase e Cosmiatria do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), Leticia Oba.

De acordo com o Ministério da Saúde, o diagnóstico da insolação é basicamente clínico, fundamentado na avaliação dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente. Em algumas situações, o médico solicita exames complementares para identificar a gravidade do quadro e verificar se houve comprometimento de órgãos.
 

Exposição prolongada a ondas de calor por vários dias seguidos podem elevar o risco de insolação. Foto: Lúcio Bernardo Jr. / Agência Brasília


Fatores de risco

A insolação pode ser favorecida por uma combinação de fatores ambientais e individuais. Exposição prolongada a ondas de calor e em ambientes quentes e úmidos por vários dias seguidos podem elevar o risco. Condições como obesidade, baixo nível de condicionamento físico e desidratação também dificultam a dissipação do calor corporal e prejudicam a capacidade de transpiração.

Idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis. “O uso de certos medicamentos também contribuem para o agravamento do quadro. Esses fatores podem atuar isoladamente ou em combinação, aumentando significativamente o risco de insolação”, ressalta Oba.

Sintomas

Os sinais da insolação costumam aparecer de forma progressiva e indicam que o organismo está sobrecarregado pelo calor. Pele quente, seca e avermelhada, aumento da temperatura corporal, dor de cabeça intensa, náuseas e sensação de fraqueza são as manifestações mais comuns. Em quadros graves, podem ocorrer desmaios, convulsões, vômitos persistentes e dificuldade respiratória.

O que fazer

Diante de sintomas leves a moderados, a orientação é buscar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Nos casos suspeitos de insolação grave, é fundamental acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192 DF) ou procurar o pronto-socorro de qualquer hospital da rede pública da SES-DF.

“Enquanto o socorro não chega, é essencial retirar a pessoa da fonte de calor e iniciar o resfriamento do corpo. Medidas simples, como compressas frias ou bolsas de gelo nas axilas, virilhas e pescoço ajudam a reduzir a temperatura corporal. Se possível e a pessoa estiver consciente, mergulhe-a em uma banheira com água fria, não gelada, ou use um chuveiro”, reforça a especialista. 

A médica acrescenta ainda que o uso de antitérmicos, como paracetamol ou ibuprofeno, não é indicado nesses casos. A ingestão de líquidos só deve ser feita se a pessoa estiver consciente e sem episódios de vômito.

Prevenção

A prevenção passa por hábitos simples no dia a dia. Manter boa hidratação, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes (entre 10h e 16h), usar roupas leves e de cores claras e aplicar filtro solar regularmente são medidas eficazes para reduzir o risco de insolação e suas complicações.
 

Manter boa hidratação, usar filtro solar e evitar exposição ao sol entre 10h e 16h são medidas eficazes para reduzir o risco de insolação. Foto: Andre Borges/Agência Brasília