Olha o carro com wolbito passando: "mosquitos amigos" são soltos no DF
Olha o carro com wolbito passando: "mosquitos amigos" são soltos no DF
Operação de combate à dengue é realizada em dez regiões administrativas do DF e dois municípios de Goiás
Larissa Lustoza, da Agência Saúde DF | Edição: Willian Cavalcanti
Antes das 7h da manhã desta quarta-feira (24), a equipe já estava a postos. Na fábrica dos wolbitos, no Guará, os agentes de Vigilância Ambiental em Saúde (Avas) buscavam caixotes com os mosquitos que vão auxiliar no combate à dengue. De lá, seguiram para dez regiões administrativas do Distrito Federal e dois municípios de Goiás. A equipe vai munida de wolbitos, mosquitos Aedes aegypti inoculados com a bactéria Wolbachia, que impede a transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya.
Uma vez com os caixotes, os carros da Secretaria de Saúde (SES-DF) locomovem-se para pontos específicos. Atualmente, os insetos estão sendo lançados em Planaltina, Brazlândia, Sobradinho II, São Sebastião, Fercal, Estrutural, Varjão, Arapoanga, Paranoá e Itapoã, além dos municípios de Luziânia e Valparaíso, em Goiás.
Guiado por um sistema de mapeamento criado para a operação, o veículo chega ao ponto correto, onde o agente retira a tampa de tecido do pote e libera os mosquitos. Posteriormente, registram os locais em que o wolbitos foram soltos.
Para o morador da Estrutural, Caleb Ferreira, 23 anos, os “mosquitos amigos” são uma novidade. “Achei muito interessante. É um negócio que eu nunca tinha ouvido falar”, comentou. A família do jovem conhece de perto os riscos da doença. “Minha mãe pegou dengue e quase morreu. Mudamos um bocado desde então, sempre virando os pneus, os potes, olhando as calhas”, refletiu.
Após a soltura, os agentes retornam os caixotes para a fábrica, onde os potes serão lavados, secos e reutilizados para a criação de uma nova leva de mosquitos wolbitos. No dia seguinte, a rotina se repete em outros pontos, até que todas as regiões mapeadas sejam totalmente cobertas.
O chefe do Núcleo de Controle Químico e Biológico da SES-DF, Anderson Leocadio, destacou a importância da logística do trabalho. “Todo o trabalho foi cuidadosamente planejado para chegar a cada comunidade. Há todo um planejamento logístico, desde a criação controlada dos insetos até o acompanhamento das solturas, para assegurar que cada região receba cobertura. Não se trata apenas de soltar mosquitos, é uma ferramenta inovadora de proteção à população”, explica.
Após a fase da soltura, o próximo passo será o monitoramento e a análise epidemiológica para verificação dos números pós-liberação. Considerado seguro, experiências anteriores demonstraram bons resultados, como em Niterói (RJ), que reduziu mais de 80% dos casos de dengue após a liberação dos mosquitos.
Até chegarem aos locais de soltura, os wolbitos passam por um processo de criação controlada. Vindos de Curitiba, os ovos inoculados com a bactéria Wolbachia crescem e larvas e pupas até adultos, em um ambiente controlado, durante sete a 14 dias. Uma vez maduros, são encaminhados às equipes de campo para liberação.
Método Wolbachia
A Wolbachia é uma bactéria de ocorrência natural e considerada segura para seres humanos, animais e meio ambiente. Ela impede que o mosquito desenvolva os vírus da dengue, zika e chikungunya, não transmitindo mais essas doenças.
Os mosquitos com a Wolbachia – chamado de wolbitos – se reproduzem com os mosquitos selvagens, transmitindo a bactéria para as próximas gerações. Quando um macho infectado com a Wolbachia cruza com uma fêmea selvagem, não nascem filhotes, contribuindo para substituir a população de insetos transmissores.
Porém, é importante ressaltar que esta é somente mais uma ferramenta de combate às arboviroses. Os outros métodos de proteção devem permanecer, como evitar água acumulada parada, uso de repelentes, entre outros.