23/01/2026 às 09h18

Cuidado que molda o futuro: órteses ajudam bebês a desenvolverem-se melhor

Iniciativa é voltada a crianças da UTI Neonatal do HRC e alia tecnologia assistiva, equipe multiprofissional e acolhimento

Karinne Viana, da Agência Saúde DF | Edição: Natalia Moura

Aos quatro meses de idade, Murilo Teles já tem história para contar. Sua primeira órtese veio logo nas três primeiras semanas de vida, após chegar ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC), no fim de agosto de 2025. Desde então, cada ajuste e cada pequeno avanço integram uma jornada que une profissionalismo, tecnologia e cuidado para garantir conforto e desenvolvimento saudável ao pequeno. 

“Sou muito grata pelo serviço prestado. Ver a evolução do Murilo nos dá segurança e tranquilidade. É um processo, um passo por vez. Saber que ele está sendo cuidado desde tão pequeno faz toda a diferença para a nossa família”, conta a mãe, Mirtes Ribeiro, 43.

O joelho do pequeno Murilo, que apresentava luxação, está hoje cem por cento corrigido com o uso da órtese.  “Sou muito grata pelo serviço prestado”, diz a mãe, Mirtes Ribeiro. Foto: Matheus Oliveira/ Agência Saúde DF

Murilo nasceu com o pé torto posicional à direita, uma alteração causada pela posição do bebê dentro do útero. Nesses casos, o pezinho pode parecer torto, mas mantém flexibilidade e costuma apresentar boa resposta ao uso da órtese somado a estímulos, alongamentos e acompanhamento terapêutico. 

O pequeno também apresentou luxação no joelho esquerdo e pé torto congênito à esquerda, situações na qual os ossos se desenvolvem de forma diferente e deixam o pé mais rígido. Por isso, o tratamento exige um acompanhamento diferente, com indicação do uso de gesso seriado e possível intervenção cirúrgica.

Cuidado especializado

Desde 2022, a Terapeuta Ocupacional da Secretaria de Saúde (SES-DF) e Referência Técnica Distrital (RTD) na área, Hellen Delchova, confecciona as órteses para bebês internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) do HRC que apresentam a necessidade do dispositivo. “O intuito é estabilizar o segmento corporal, prevenir deformidades, contraturas e tratar lesões que precisam de algum tipo de imobilização”, explica. 

“O objetivo é estabilizar o segmento corporal, prevenir deformidades, contraturas e tratar lesões que precisam de um tipo de imobilização”, explica a Referência Técnica Distrital em Terapia Ocupacional, Hellen Delchova. Foto: Matheus Oliveira/ Agência Saúde DF

Moldadas diretamente no membro do bebê, as órteses são produzidas sob medida, com termoplástico. Conforme a criança cresce, novas peças precisam ser feitas para manter o encaixe adequado e a eficácia do tratamento. O processo envolve a retirada do molde, aquecimento do material e adaptação cuidadosa ao corpo da criança, sempre priorizando segurança e conforto. Os pacientes também são acompanhados no ambulatório de desenvolvimento neuropsicomotor, com terapia ocupacional, fisioterapia e fonoaudiologia.

Essas estratégias já apresentam resultados. O joelho do pequeno Murilo, por exemplo, está hoje cem por cento corrigido. “É um êxito que reforça a importância do nosso trabalho e do impacto positivo que a intervenção precoce e a tecnologia assistiva têm na qualidade de vida das crianças e de suas famílias. A possibilidade de mudar o curso da vida de uma criança no momento certo é extremamente valiosa”, diz a RTD.