06/01/2026 às 09h19

Dengue: equipes de saúde visitam mais de 1,8 milhão de residências em 2025

Com foco em prevenção e cuidado contínuo, a tecnologia foi a grande aliada ao combate de arboviroses neste ano

Larissa Lustosa, da Agência Saúde DF | Edição: Natália Moura

Mesmo com a redução significativa dos casos de dengue neste ano, em comparação a 2024, a Secretaria de Saúde (SES-DF) não poupou esforços para proteger a população. Com foco em prevenção, cuidado contínuo e inovações tecnológicas, 362 servidores de Vigilância Ambiental em Saúde visitaram mais de 1,8 milhão de residências no Distrito Federal em 2025.

As ações de combate às arboviroses foram realizadas de forma ininterrupta ao longo do ano, abrangendo desde residências até locais públicos. Entre as estratégias utilizadas está a Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI), tecnologia que cria uma camada protetora nas paredes internas, capaz de eliminar os mosquitos que pousam nesses locais. O produto, que tem baixa toxicidade para humanos e animais domésticos, permanece ativo por até 90 dias. Em 2025, foram feitas quase 60 aplicações do BRI, principalmente em locais com grande circulação de pessoas.

Outra importante ferramenta de prevenção foram as estações disseminadoras de larvicidas (EDLs). Cada unidade é composta por um balde preto, com uma boia e uma tela ao redor, impregnada com Pyriproxyfen – inseticida que funciona como um hormônio regulador de crescimento de insetos, impedindo-os de atingir a fase adulta. Neste ano, mais de 3,2 mil EDLs foram instaladas em diferentes regiões do DF.
 

Mais de 3,2 mil estações disseminadoras de larvicidas e 3,8 mil ovitrampas foram instaladas em diversas regiões do DF. Foto: Ualisson Noronha/Agência Saúde DF​​​​​

As ovitrampas também tiveram papel fundamental no monitoramento e controle das arboviroses. Em 2025, as equipes de vigilância colocaram mais de 3,8 mil armadilhas. Nelas, um pote preto com água e levedo de cerveja estimula os mosquitos a colocarem seus ovos em uma placa de fibra de madeira (paleta) e na parede do recipiente. Embora as armadilhas pareçam um criadouro de mosquitos, elas são seguras, pois recebem inseticida para impedir o desenvolvimento de larvas. 

Tecnologia nos céus

Além das ações em solo, a SES-DF incorporou tecnologias aéreas ao combate das arboviroses. Os drones passaram a integrar o conjunto de ferramentas estratégicas da pasta, auxiliando no mapeamento de territórios mais críticos. Cada foto tirada pelo aparelho traz a indicação dos locais onde há possíveis focos de água parada, permitindo ações mais precisas. Ao todo, os drones fizeram uma varredura em 22 regiões administrativas, totalizando mais de 2,1 mil hectares mapeados e cerca de 3 mil possíveis criadouros identificados.
 

Drones foram responsáveis pelo mapeamento estratégico de cerca de 2,1 mil hectares, localizando mais de 3 mil possíveis criadouros. Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF​​​​

Outra frente de atuação inovadora foi a libertação dos Wolbitos, mosquitos Aedes aegypti inoculados com a bactéria Wolbachia, impedindo o desenvolvimento do vírus de doenças como dengue, zika, febre amarela e chikungunya. Os mosquitos com a Wolbachia se reproduzem com os insetos selvagens, transmitindo a bactéria para as próximas gerações.

No DF, o programa registrou 14 semanas de produção e 13 de liberação de aproximadamente 13 milhões de “mosquitos amigos”. Nesse período, as ações de campo envolveram 68 rotas semanais, 14 mil pontos de soltura e 813 viagens para a distribuição dos insetos em todo o território previsto.
 

Mais de 13 milhões de "mosquitos amigos" foram liberados no DF. Insetos contêm bactéria que impede a reprodução do vírus da dengue, zika e chikungunya. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF​​​
Arte: Agência Saúde-DF