09/01/2026 às 08h26

Estudantes de Harvard conhecem Sistema Único de Saúde no DF

Comitiva visitou UBSs de Planaltina, Fercal e Arapoanga. Alunos brasileiros de diferentes regiões do País também participaram

Yuri Freitas, da Agência Saúde DF

Estudantes de mestrado e doutorado em Saúde Pública da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, realizaram, nesta semana (6), uma visita técnica a unidades da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). “O Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes a ter um sistema único de saúde sem custos para a população", afirma a professora Márcia Castro, que ministra curso há 18 anos na universidade norte-americana. 

A docente defende que o SUS seja um modelo a ser seguido internacionalmente. "A ideia da qualificação é mostrar o funcionamento desse sistema. Ao mesmo tempo em que os estudantes aprendem, também ajudam os órgãos de saúde brasileiros a solucionar problemas e desafios”, reforça a professora.

Ao todo, 15 alunos de Harvard, assim como 15 estudantes brasileiros de diversas regiões do País – dentre residentes, mestrandos e doutorandos –, realizaram um tour pela Região de Saúde Norte. O intuito foi observar como o modelo de Atenção Primária à Saúde (APS) do Brasil funciona localmente.

A atividade compõe o Curso Colaborativo de Campo em Saúde Pública, uma parceria entre Harvard e o Ministério da Saúde (MS). A capacitação combina visitas de campo, aulas e trabalhos em grupo para entender o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
 

Estudantes conheceram os serviços ofertados pelas Unidades Básicas de Saúde da região Norte. Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF

Estudo pelas unidades

A comitiva se dividiu em três grupos para conhecer os serviços na prática. Um visitou a UBS 2 da Fercal, que atende a região rural. Outro conheceu a UBS 8 de Planaltina, no Vale do Amanhecer, e a terceira unidade visitada foi a UBS 5 de Planaltina, em Arapoanga.

Representantes da Diretoria Regional de Atenção Primária à Saúde (Diraps) Norte da SES-DF, ao lado dos gestores locais, guiaram os estudantes pelas unidades. Foram apresentados serviços como acolhimento de demanda espontânea, dispensação de medicamentos e realização de atividades comunitárias, além de consultas médicas e de enfermagem em todas as fases da vida. 

À frente da Diraps Norte da SES-DF, Alcir Galdino ressalta que a APS é considerada a principal estratégia para garantir saúde à população. “Os municípios brasileiros que investem mais em atenção primária têm melhores indicadores sociais. Além disso, um planejamento governamental de saúde que coloque a APS como o centro do modelo garante maior economicidade do sistema, melhor qualidade no gasto público", avalia. 
 

Alunos analisaram serviços como acolhimento de demanda espontânea, dispensação de medicamentos e realização de atividades comunitárias. Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF

SUS é um exemplo para o mundo”

Em seu primeiro ano de doutorado pela Harvard, a norte-americana Swathi Srinivasan acredita que, embora apresente uma organização complexa, o SUS é engenhoso. “Seu funcionamento exige um conhecimento incrível do próprio país, uma enorme compilação de dados e de depoimentos da população. Há a colaboração entre as esferas federal, estadual, distrital e municipal. São todos níveis diferentes, mas que operam em conjunto. Saber que esse sistema funciona em um país tão grande quanto o Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, é surpreendente."

Srinivasan também compara os serviços de APS daqui e os dos EUA. “O SUS é um exemplo para o mundo. Um país rico não é, necessariamente, um país saudável, e os EUA é rico, mas não sabe como usar seus recursos para fortalecer a saúde pública”, sugere. 
 

“Saber que esse sistema funciona em um país tão grande como o Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, é surpreendente”, afirma a estudante de doutorado de Harvard, Swathi Srinivasan. Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF