Saúde intensifica ações para eliminar a transmissão de hanseníase no DF
Saúde intensifica ações para eliminar a transmissão de hanseníase no DF
Com mais de mil notificações em cinco anos, Secretaria de Saúde aposta em busca ativa e monitoramento para reduzir sequelas e interromper ciclo da doença
Michele Horovits, da Agência Saúde DF | Edição: Willian Cavalcanti
Dados da Secretaria de Saúde (SES-DF) indicam que os casos de hanseníase diminuíram nos últimos três anos no Distrito Federal. Foram registradas 113 ocorrências em 2024. O número é 28,5% menor que os 158 casos registrados em 2022. O DF registrou 1.018 notificações de hanseníase entre os anos de 2020 e 2024. Atualmente, a capital apresenta uma taxa de detecção de 3,53 casos para cada 100 mil habitantes, o que a posiciona em um patamar de média endemicidade, segundo critérios técnicos. Os dados constam no Informativo Epidemiológico da Hanseníase, divulgado pela pasta.
O perfil epidemiológico revela que os homens são os mais acometidos, representando 50% das novas notificações. A maior concentração de casos ocorre na faixa etária entre 50 e 59 anos. O cenário nacional ainda é desafiador: o Brasil é o segundo país com maior volume de casos no mundo, atrás apenas da Índia.
Estratégia e Monitoramento
A Secretaria de Saúde segue o Plano de Enfrentamento da Hanseníase do DF 2023-2030, com o objetivo de intensificar as políticas públicas para eliminar a transmissão da doença no território.
A Referência Técnica Distrital em dermatologia da SES-DF, Ana Carolina Igreja, explica que a demora na identificação da doença ainda é um obstáculo. Muitas vezes, os sintomas iniciais são negligenciados ou confundidos com outras patologias. “Os sinais mais comuns são manchas com sensibilidade alterada. Mas nódulos eritematosos [caroços vermelhos], áreas com diminuição de suor e perda de pelos também são sintomas frequentes”, detalha a especialista.
Embora a hanseníase tenha cura e o tratamento seja gratuito, a continuidade da medicação é fundamental. A especialista da SES-DF alerta para a taxa de abandono, que chegou a 22% no DF em 2022. A interrupção do tratamento prejudica a recuperação do paciente, favorece a resistência bacteriana e mantém a cadeia de transmissão ativa na comunidade. “O diagnóstico tardio reflete diretamente na qualidade de vida do paciente. Em 2020, o Distrito Federal registrou muitos casos com grau de incapacidade física 2, o que significa que muitos cidadãos já chegavam às unidades de saúde com sequelas físicas ou danos neurológicos visíveis.”
Para alcançar as metas dos indicadores, a Gerência de Vigilância das Doenças Transmissíveis (GVDT) da SES-DF está intensificando a busca ativa por meio dos agentes comunitários de saúde (ACS) e ampliando a realização de testes rápidos em pessoas que convivem com os pacientes diagnosticados, entre outras estratégias.
A porta de entrada para o atendimento de pacientes com hanseníase são as Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Casos que exigem suporte especializado são encaminhados para os centros de referência: Centro Especializado de Doenças Infecciosas (Cedin); Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e Hospital Universitário de Brasília (HUB).
Na Região de Saúde Norte, a Unidade de Infectologia de Planaltina é referência no atendimento a doenças infectocontagiosas, com destaque para HIV, aids, hepatites virais, tuberculose e hanseníase, que estão entre as mais prevalentes na região. A unidade atua como ponto estratégico, realizando cerca de 500 atendimentos mensais com equipe multidisciplinar. “Contamos com profissionais habilidosos no manejo da doença para garantir que o paciente receba a orientação correta e complete o tratamento com sucesso”, afirma a diretora da Atenção Secundária da Região Norte, Joyce Vieira Dantas.
Transmissão
A hanseníase é transmitida pelo contato prolongado com pacientes não tratados. A doença tem cura e o tratamento, padronizado pelo Ministério da Saúde, é realizado por meio da associação de três antimicrobianos, denominada de Poliquimioterapia Única (PQT). O tempo pode variar de seis a 12 meses, de acordo com a forma clínica da doença.
Em caso de manchas suspeitas, procure a UBS mais próxima.