14/04/2022 às 18h21 - Atualizado em 14/04/2022 às 18h21

Saúde segue atenta à identificação de barbeiros transmissores da doença de Chagas

Nos últimos anos não houve registros de infecção aguda da enfermidade no Distrito Federal

WILLIAN MATOS, DA AGÊNCIA SAÚDE-DF | EDIÇÃO: MARGARETH LOURENÇO 

 

 

Hoje, 14 de abril, é o Dia Internacional da Doença de Chagas. A enfermidade, transmitida pelo inseto triatomíneo, popularmente chamado de barbeiro, pode levar mais de 20 anos para se manifestar.

 

A infecção ocorre da seguinte forma: o inseto pode carregar em suas fezes o protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença. O barbeiro libera os dejetos na pele do ser humano enquanto suga o sangue. A pessoa, então, sente coceira, leva a mão ao local da picada e acaba fazendo contato das fezes com a pele, contaminando a corrente sanguínea.

 

No Distrito Federal, porém, a Doença de Chagas não é uma ameaça. A gerente de Vigilância das Doenças Transmissíveis (GVDT/Divep), Kenia Oliveira, destaca que as autoridades de saúde se mantêm em “constante vigilância de casos em humanos com exposição a esses insetos infectados”. Nos últimos anos, não houve registros de infecção aguda aqui.

 

A transmissão pode ocorrer ainda de mãe para filho durante a gravidez. A GVDT também monitora mulheres gestantes. “Mas até o momento não temos notificações de casos agudos da doença”, assegura Kenia.

 

Nos últimos três anos, a Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival), responsável pelo controle dos vetores de doenças endêmicas e de animais peçonhentos, capturou 931 barbeiros, sendo 204 no ano passado, 607 em 2020 e 120 em 2019.

 

Dos 931 barbeiros capturados entre 2019 e 2021, apenas 46 estavam contaminados com o protozoário que causa a doença de Chagas.

 

 

Como proceder

 

Quem encontrar um barbeiro pode capturá-lo com cuidado, evitando contato direto, e levá-lo a um dos postos de informações de triatomíneos (PITs) espalhados pelo DF. Há 83 deles pela capital, sendo 67 em escolas, postos de saúde e ou outras entidades públicas, 15 nas sedes dos Núcleos Regionais da Vigilância Ambiental em Saúde/Inspetorias, um na Universidade de Brasília (UnB) e outro na sede da Dival. Arquivo em Anexo 1.

 

Quando não for possível o deslocamento, os servidores da Dival também podem ir à casa onde o inseto suspeito foi localizado. O atendimento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, exceto feriados e finais de semana. Se houver a confirmação de que trata-se de um barbeiro, são acionadas medidas de controle.

 

Uma vez que há a confirmação de que o inseto encontrado é um triatomíneo, uma equipe da Dival vai à residência para realizar inspeção minuciosa e borrifação contra espécies de maior risco de domiciliação. Quando o barbeiro é localizado em um dos cômodos internos do imóvel, todos os moradores são submetidos a uma análise sorológica para descartar qualquer possibilidade de transmissão pelo vetor contaminado.

 

A pesquisadora em Ciências da Saúde Vilma Ramos Feitosa, bióloga da Dival, reforça o papel do morador na vigilância contra o inseto. “O barbeiro só aparece à noite, para se alimentar. Na busca diurna é possível encontrá-lo, mas é muito difícil, porque ele se esconde bem para ninguém o incomodar. A importância do morador é essa: aquele que mora e cuida e verá com mais precisão qualquer inseto suspeito”, diz.

 

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